quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Preto

Sou preto com orgulho

Sou preto com amor

Minha alma nasceu preta

Eu sou filha de mãe preta, sou da paz e tenho amor

Meu cantar espanta os males

Ando em todos os lugares, mas pertenço a minha terra

Que é chama da de Bahia, com festa e alegria, temos na veia a melodia

Peço a todos o respeito ao falar da minha gente

Gente pobre e carente que tenta manter a dignidade mesmo com as adversidades

Gente que tem na pele a cor do sofrimento, a cor da luta

Mas não desiste de conseguir sua vitoria

Que é apenas ser respeitado, que é apenas ser amado, que é apenas ser comum

A minha raça é a humana, minha população baiana e o meu Deus é o Senhor do Bonfim

Respeite o sincretismo, respeite o misticismo e a minha liberdade

Não me chame de morena, nem tão pouco de pequena que ser baiano é grandioso

Pode me chamar de Preta não pela minha pele ser preta, mas meu coração sobreviveu em um navio negreiro.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Rio 40º!

Rio 40º

A sociedade já viu este filme antes e o disco que toca no meu rádio parece estar arranhado. A guerra civil que o Brasil enfrenta precisa ser cessada, porém como?

Enquanto os bandidos dominam cidades como o Rio de Janeiro, as pessoas se preocupam que a mesma é sede das Olimpíadas e da Copa de 2014, mas “perai”, tem pessoas morrendo, tem gente chorando, tem sangue escorrendo nas calçadas que vão passar celebridades ou naquelas que verdadeiras celebridades as do dia a dia passam, tem crianças de 2 meses ficando órfãs por balas achadas, tem crianças que também acharam as mesmas balas mas não a procuravam. Neste momento me pergunto será que o importante é saber como vai ser a segurança dos atletas destas competições, se hoje os cidadãos que pagam impostos não a tem? Qual é a real preocupação do governo e da imprensa neste momento?

O Rio que é chamado de cidade maravilhosa há anos enfrenta as conseqüências da guerra, ruas fechadas, buracos de balas por várias paredes, a qualquer momento você pode ser atingido assim a vigilância é constante, a qualquer momento você pode ter que abandonar seu carro ou descer do ônibus e correr para salvar as suas vidas.

Como não deve ser para uma mãe ver seu filho órfão de 6 anos pensando no suicídio pois seu pai foi assassinado por bandidos? Ou como se sente a avó de uma criança de 9 anos que tem a síndrome do pânico, pela violência do seu cotidiano?

Talvez isso seja comum e por isso não nos afete mais estes casos, mas ser comum não significa ser correto, ser normal. Até quando estes fatos vão ser contados?

Tem pessoas que culpam o governo por tudo e se formos olhar por este lado surge outro questionamento, a República Federativa do Brasil é um país que elege os seus governantes, logo, se estes não representam o povo podem ser trocados quadro anos após o descanso no cargo político, muito bem remunerado. E porque não são trocados nas próximas eleições?

Alguém já se deu o trabalho de se perguntar o motivo destes jovens entrarem no crime? São crianças pobres, pretas, faveladas que não possuem nenhuma expectativa de vida além de serem empregados. Crianças que já convivem com a violência, a falta de educação, a falta de planejamento familiar, a falta de escolas bem equipadas, e acham, pelo poder do capitalismo, que quem manda é quem tem dinheiro, e a forma mais fácil para quem não é bom de bola ou pagodeiro é ter uma arma nas mãos e fazer assim não por status, mas pela força a sociedade se render. A mesma sociedade que tentou os enjaular agora se sente enjaulada por estes bandidos e não há forma de extermínio para todos, e talvez não haja forma de ressociabilizar todos também, mas há a esperança dento de cada um de nós que isto vai mudar. Segundo a lei da física, toda ação causa uma reação, assim, um ato violento gera mais violência, e esta violência por si só destrói lares, acaba com vidas. A única saída para isto é a educação, e a geração de emprego e renda, e assegurar que a constituição seja cumprida pois nela o direito é sujeito de dever e direitos assim como nós cidadãos. Mas como, exigir de uma sociedade acomodado mudanças?

Me desculpe os grandes empresário que pagam por segurança particular e vivem nos seus condomínios luxuosos em bairros nobres das grandes cidade, mas não creio que neste momento algum cidadão morador das favelas que estão em confronto se importem com as competições, pois nada dói mais em uma mãe do que perder seu filho. A maravilha do Cristo, do Pão de açucar foi ofuscado pelo sangue que desce dos morros para o asfalto. O Rio 40º, a cidade maravilha, vê mais uma vez o sangue de seus filhos derramados por mais algumas calçadas.

Daiane Oliveira, estudante de Jornalismo....

Decepcionada com o comodismo e a visão pessimista do ser humano...

domingo, 27 de setembro de 2009

Falso puritanismo!!!

A moça muito reservada que dançou no palco com a banda baiana de pagode foi demitida. Não, ela não participou do programa de televisão que um grande empresário protagoniza e fala aos participantes eliminados “Você está demitido”. A moça foi demitida da escolinha aonde trabalhava, ela é educadora. Não podemos julgar uma pessoa pelas suas escolhas de lazer, como o nome diz lazer é algo feito nas horas vagas para diversão. Cai entre nós a minha escolha de lazer não é deixar um cantor, levantar meu vestido composto e puxar minha calcinha ao som de uma música que diz (mas essa mina anda com o fio todo enfiado, todo enfiado, todo enfiado...).

O cantor da banda O Troco em entrevista falou que o público gosta disso, é para isso que esse tal público vai ver o show, ou seja, ele faz o que é correto para esse público ver. Não é a toa que tantas imagens similares estão na mesma rede aonde o vídeo da professora foi postado. Você já pensou em colocar lá a palavra Surubão, quem sabe Tudo até o talo, talvez Senta levanta ou até Desce com a mão no tabaco? Se não realmente você pode se escandalizar com essa moça, mas acreditem existem imagens piores se há possibilidade de classificar algo como pior, sem falar em outros ritmos como o funk que não perde para o pagode no grau de exposição da imagem feminina. Mas surpreendentemente a mesma exposição não acontece com o homem.

Agora colocar a culpa na mídia pela exposição das imagens ou na bebida alcoólica não dá, vai que essa moda pega. Assim é melhor sugerimos aos nossos governantes para parar de construir presídios, pois mesmo ébrios somos responsáveis pelos nossos atos após a maioridade. Se uma pessoa comete um delito como o assassinato, por exemplo, pode alegar que foi a bebida e ai este individuo poderá ser considerado inocente? Já que é assim temos que rever a legalização da bebida alcoólica.

As imagens apenas nos atentam a um fato: é dessa forma que a mulher é vista para muitos integrantes da nossa sociedade brasileira, apenas um objeto sexual. Certamente não foi deste tipo de pagode que um homem integro e considerado por muitos como intelectual considerou como música.

A questão não é se a jovem estava certa ou errada, pois isso irrelevante. O questionamento é saber o motivo dessas mulheres dançarem dessa forma? A professora não foi a única, no mesmo show em que esta moça foi filmada outras mulheres desabotoaram suas roupas para mostrar a calcinha e tem até quem quase a tirou. Agora a moça é a única a ser exposta, até por que a mesma aparenta não gostar da exposição.

Nas ruas a sociedade se mostra chocada com a dança dessa cidadã, se ouve “Que escândalo, como ela foi capaz?”, porém não houve tanta comoção assim com o arquivamento do caso Palloci, não há tanta comoção assim com o caso de Dilma, e pior, o verdadeiro escândalo que a sociedade brasileira enfrenta é Sarney ainda comandar os senadores com tantas acusações pesando ao longo da sua vida política.

Agora a professora é condenada por ter tido a oportunidade de estudo e escolher como lazer dançar pagode, pois para a nossa sociedade apenas as pessoas sem instrução, sem educação é que deveriam gostar deste ritmo. Para essas pessoas é inaceitável que uma educadora tenha tal atitude, agora por que é aceitável o nosso excelentíssimo presidente pedir pelo senador Sarney? Ah, sim, havia me esquecido que para a nossa população é mais importante saber quem ficou com quem, quem rebolou e mostrou a bunda, do que quem pode interferir na minha vida, quem é acusado de desviar verbas dos meus impostos, quem recebeu para não trabalhar no nosso país. Estamos vivendo uma cultura que não nos enriquece, a cultura do analfabetismo, da desigualdade.

Não estou e não vou defender a professora quer por sinal já contratou um advogado para mover processos por ai, estou apenas dizendo que é hipocrisia em um país onde mulheres são apelidadas por nome de frutas para exaltar as suas exuberâncias físicas condenar uma pessoa por representar uma geração que se mostra apática diante dos verdadeiros escândalos, que se diz liberal, no entanto é a primeira a criticar e proibir, que se diz nova, porém mantêm o velho preconceito sempre firme e forte, que se diz revolucionaria, mas não sabe o que é revolução.

Daiane Oliveira, estudante de jornalismo, 20 anos de idade, não gosto do pagode, mas compreendo o Fantasmão e acho ridículas as atitudes da banda de pagode envolvida no ocorrido, da sociedade e as declarações da professora. É apenas a minha simples opinião.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Deixando o preconceito de lado!

Vamos analisar estas letras de música:

As ruas do Pelo

"As ruas do pelo Estão cheias de gringo, Que lindo! (4x) Sera que meu povo Esta sempre sorrindo, Sorrindo? (4x)Dê a cara pra baterE fala a verdade Dê a cara pra bater E mostra a cidade Que chora, que chora,que chora a realidade Eu quero ver meu povão nordestino Na palma da mão meu povão nordestino Eu quero ver meu povão nordestinoIndo pra frente correndo atras Mostrando pra eles Que somos iguais E por isso que eu grito E por isso que eu faloFalo! (3x) Eu falo mesmo, é por isso que eu grito Grito (3x) Eu grito mesmo Que quero ver meu povão nordestino Na palma da mão meu povão nordestino Eu quero ver o meu povão nordestino"

"Com um conceito renovado, Andará nossa nação, Sou filho de preto, Quero respeito, Quem mora no guetto Não é ladrão! Com um conceito renovado Andará nossa nação Sou filho de preto Quero respeito Quem mora no guetto Não é ladrão! Não, não, não! Na favela, lá no morro. No Lobato, na Fazenda Coutos No Retiro, quem atirou? Eu quero saber quem pintou o Castelo de Branco. Na Senzala do Barro Preto Todo mundo é irmão. Tá na cara, tá no coração No cabelo, na pele, no compasso. Sou eu Fantasmão! É na pegada do pé É na pegada da mão "Simbora negão" "Simbora negão" É na pegada do péé na pegada da mão "Simbora negão" "Simbora negão". "

Essas letras poderiam ter sido organizadas por qualquer pessoa engajada nas causas negras, nas causas sociais e é porém é de um grupode pagode baiano. É do Fantasmão! A primeira é As ruas do Pelo/Fantasmão/Composição: Eddy / Franco / Neto / ed. Leke e a seunda é Conceito/ Fantasmão/ Composição: Eddy.


E ai vamos derrubar o preconceito? É necesário saber separar o que é cultura e o que não é.

Pagode é música

A minha visão sobre o ritmo foi alterada, pois sempre vi o pagode como a linguagem pejorativa, falando mal da mulher, agredindo a imagem feminina utilizando termos para o seu órgão sexual ou os seus atributos físicos.
Agora nos cabe a missão de separar o que é música do que não é, e isso não acontece apenas no pagode.
Diversos grupos utilizam da música para passar as suas mensagens de indignação perante o sistema, de auto afirmação perante a sua cor de pele, de orgulho por ser o que é, de coragem por falar o que os outros parecem esquecer. Esses grupos têm o desafio de cantar em uma linguagem que a massa da população que durante décadas foi estimulada a não questionar, a não pensar, a não interpretar e a não analisar o que esta acontecendo. Por isso, as rimas são tão simples, pois como falar de léxico para uma população que não usa o dicionário? E talvez por isso e por outros grupos que insistem em fazer música para analfabeto o pagode é mal visto.

Estou lhe enviando umas músicas de pagode que me fazem pensar profundamente e até me arrepio em ouvir algumas:

Sou negão/ Fantasmão

Se vocês apóiam eu não seiEu deixo ao seu critérioMais eu não curto os manosque pintam cabelo de amarelo,Que vão na TV chorando dizendo que foi da favelaé ai que você se engana... Eles nunca fizeram parte dela.Ladrão que é Ladrão não chora,Homem que é homem não rebola,Lugar de Criança é na escolae o Fantasmão mudou a historia.(Refrão)Eu sou negão, eu sou do ghettoE você quem é?Sou Fantasmão, eu sou do ghettoE você quem é? (2x)Fantasmão quebrando todas as barreiras do preconceito!Eu sou da favela eu vim do ghettoBatendo na panela, derrubando preconceitoVocê que pensa: Que negro correndo é ladrão!?Tem branco de gravata roubando de montão.Pra você eu mando um sambaque não tem classe não tem corEle vai bater seu peitoe despertar o amor! (2x)Eu vim de lá, de lá eu vimNão foi tão fácil chegar aquiEsse microfone é meu armamentoSou Fantasmão e to pronto pro arrebento!(Refrão 2x)


Ser Negão É Massa/ Sam hop

Rapaz se olhe no espelho, Repare o cabelo, Compare o nariz.Sua origem é África, Mesmo que não queira todo mundo diz. (bis)Se assuma... ser negão é massa !Se assuma... ser negão é raça ! (2x)Passe lá no Ilê ...TEM UM BOCADO IGUAL A VOCÊ !Passe lá no OlodumTEM UM BOCADO IGUAL A VOCÊ !Filhos de Ghandy ...No Badauê... Se assuma... ser negão é massa !Se assuma... ser negão é raça ! (2x)Olha que eu gosto do negro, Porque o negro me lembra você... (2x)Negra, negra, negra o amor...Negra, negra, negra a cor...



Essa música tem até uma história legal, pois um grupo de estudantes de Direito de uma faculdade de Salvador, da qual não sei o nome, divulgou a informação de que iria processar os compositores da música e solicitar por meio de um processo a proibição desta.Afirmaram que a música era racista e feria a constituição. Mas isso não passou de um boato ou de uma tentativa de intimidação.


Favela/ Parangolé

Favela Ê FavelaFavela eu sou FavelaFavela Ê FavelaRespeite o povo que vem delaFavela Ê FavelaFavela eu sou FavelaFavela Ê FavelaÔ já ta quase na hora do meu bonde passarLevando a galera que faz as loucurasPega no batente dessa vida duraQue acorda bem cedo para ir trabalharÔ mas que nunca perde sua féQue samba na ponta do péO alimento da alma é sonhar ÊÊFavela Ê FavelaFavela eu sou FavelaFavela Ê FavelaRespeite o povo que vem delaFavela Ê FavelaFavela eu sou FavelaFavela Ê FavelaNão tem leotria idéia de pretoQue sobe as escadas e passa por becosConhece a noite ele mora do GuetoNão tem leotria idéia de pretoQue sobe as escadas e passa nos becosConhece a rua ele mora do GuetoFavela Ê FavelaFavela eu sou FavelaFavela Ê FavelaRespeite o povo que vem delaFavela Ê FavelaFavela eu sou FavelaFavela Ê Favela



Deixando claro que mesmo antes de Caetano Veloso fazer a sua declaração bombastica sobre este ritmo já havia uma idéia consolidada.

domingo, 31 de maio de 2009

Como você chama?

Como chamar a brilhante decisão do Ministério Público do Trabalho (MPT) em ir ao Judiciário solicitar, ou por melhor dizer, exigir a proibição de que grupos de axé music participem das festas juninas na Bahia?
Pensemos melhor é uma decisão correta, pois com tantas crianças morrendo de fome ou por falta de médicos e hospitais preparados para a grande demanda, com tantas pessoas desabrigadas pelas fortes chuvas recentes, com tantos indiciamentos dentro da policia baiana por irregularidades, abordagens truculentas e até mesmo acusações de homicídios, assim certamente é mais importante se importar com o gosto musical alheio. Realmente é de uma relevância fantástica o fato das bandas de Axé tocar nas festas juninas.
E para quem quiser saber qual a alegação para esta solicitação do MPT, é a seguinte: Segundo os procuradores, os artistas deturpam a cultura da época de Junho e já tem o carnaval como o momento apropriado para executar seu estilo musical. Mas “perai” latino toca Axé music? Não sabia! O que Daniela Mercury fez ao trazer um pianista para cima de um trio no carnaval ha alguns anos? Isso se chama diversidade cultural. Se as bandas de Axé tocam nas festas juninas é porque há publico para assisti-las e porque essas pessoas solicitam o axé.
Também é verdade que o São João perde a sua característica principal, porém com esta medida será que as bandas de forró tradicional que não possuem patrocínio para tocar vão ter maior visibilidade, as quadrilhas que se não possuísse uma competição organizada por uma emissora de televisão vão ter maior publico, será que o MPT pensa em obrigar agora que as pessoas ouçam no carnaval Axé e somente Axé, no São João forró e só forró, “ops” e no Natal vamos ouvir o quê? Dingo bel?
A música não importa de que gênero seja é cultura e cultura nunca pode ser proibida o que deve haver é maior patrocínio para a nossa cultura regional. São projetos para que a tradição seja maior vista. A repressão só causa afastamento, desculpem, mas vale ressaltar que vivemos em uma democracia, pelo menos no papel, e por isso deve haver liberdade de escolha musical.
Algumas pessoas chamam a decisão de falta do que fazer, outras de excesso do que fazer, ainda tem outras que dizem que é falta de algo construtivo para pensar. Eu apenas acho que a medida é uma forma de resgate da cultura, porém feita da forma mais ignorante possível, que é através da força. Que antítese querem valorizar a cultura, mas não usam a educação.
Então como você chama?
A opnião de uma reles adoradora do forró tradicional que só toca nas rádios no São João. Daiane Oliveira – Salvador- 29/05/2

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Analise de músicas baianas

No mês de Janeiro do ano de 2007, obtive uma informação que me deixou perplexa foi a proibição de uma música da cantora baiana Margaret Menezes, Rasta Man. A música conta a historia de um homem, rastafari, que levava a vida de um jeito convencional, acorda cedo para trabalhar, joga futebol, porém este mesmo homem já havia viajado para muitos lugares de metrô e em uma sociedade onde o sonho popular é ficar rico e se divertir ele tinha o sonho de conhecer a Jamaica e cantar reggae. Ou seja, poderia ser considerado louco por querer conhecer um país da América Central que é considerado o berço do reggae.
Dois movimentos rastafáris da Bahia, Nova Flor e Aspiral do reggae, protocolaram uma ação no Ministério Público para que a música não tocasse nos rádios e na 2ª Promotoria de Justiça e Cidadania e Combate ao Racismo foi entregue um documento no qual os movimentos rastafáris descrevem a obra como “racista, discriminatória e incentivadora do preconceito”.
Creio que nem é preciso falar o porquê do meu espanto com a notícia, uma mulher negra, cantora baiana, que lutou contra o preconceito, contra a sociedade racista e discriminatória colocaria no seu álbum novo “ Brasileira ao vivo – Uma homenagem ao samba-reggae” uma música preconceituosa. A composição é de um trio Augusto Conceição, Duller e Fábio Alcântara , onde dois destes são rastafáris, sendo que a inspiração veio de um radialista também rastafári.
A letra esta abaixo:

”Rasta Man”

(Augusto Conceição, Fábio Alcântara e Duller)

Eu vou contar uma história de um rasta man
Que viajou o mundo inteiro de metrô
Na sua vitrola só rolava reggae clássico Gregory Isaac, Bob Marley, só sucesso
As suas tranças passeavam na cintura
Na sua cabeça uma touca tricolor
Jogava bola lá na rua onde morava
Fim de semana batucava o seu tambor
Reggae man Esse cara dança reggae
Reggae man
Meio maluco, mas um homem bom
Tinha uma casa com uma pintura jamaicana
Uma guitarra um surdo velho e um timbau
Ele levava uma vida de bacana
O seu cigarro era todo especial
A vida dele era pensar no dia-a-dia
Acorda cedo para a batalha do seu pão
Só tinha um sonho de conhecer a Jamaica
E cantar bem alto o reggae do seu coração Jha, jha, jha, lá, lá, lá, lá, ô, Jha Jha, jha, jha, lá, lá, lá, lá, ô, Lord

Agora a pergunta cadê o preconceito? Peço que se vocês o encontrarem nesta música avisem que estou a procura. Porém poderia citar um exemplo de música de passa a mensagem de apartheid racial, é a música interpretada pelo brilhante Jaú Peri e Piere Onassis, Ó neguinha,que fez muito sucesso no carnaval de Salvador. Nesta letra podemos verificar uma mensagem de que o preconceito mais do que nunca esta vivo, deixando claro que não estou chamando o compositor de preconceituoso, o artista poderia estar tentando mostrar um lado pelo qual convive ou se referiu a um pensamento coletivo que não era o seu, ou apenas se inspirou em alguém, a questão é que esta letra não foi avaliada e censurada, e realmente gostaria de saber qual a visão que este movimento teve para proibir a música Rasta Man. Como Jau Peri mesmo a descreveu Ó Neguinha é "um divisor de águas da música baiana", em uma entrevista para um site que fala da música baiana. A letra de Ó Neguinha esta abaixo junto com a minha interpretação entre parênteses:

Ó Neguinha, do grupo Vixe mainha:

Por essa nega eu ponho roupa nova, uso óculos escuros, ( pra quer roupa nova e oculos escuros? Pois a nossa sociedade é visual e você vale pelo que mostra ter e não pelo que você é. E os oculos escuros seria para ver um mundo negro como o dela).

desço do muro, ela sabe me fazer feliz. ( Ele vai descer do muro, pois é mis claro então vai assumir que é negro para ser feliz ao lado da “neguinha”. Então uma relação interracial neste contexto nunca daria certo).

Nega! Óculos escuros, na parede, na parede, na parededo meu sonho ( a parede dos sonhos é a barreira da cor da pele entres eles, é o apartheid racial que os separa).
Ela pintou alegria, arrumou tudo em mim,café com pão é bom(é brasileira, é brasileira, ébrasileira. ( o café é escuro e o pão claro, e é aqui no Brasil que essa mistura acontece muito)Vixe mainha ó neguinha, tudo é tão bomio io mainha, ó neguinha, tudo é tempoVixe mainha ó neguinha, tudo é tão bomio io mainha, ó neguinha, tudo é tempotempo é nada tudo é tempoe tempo é tudo e tempo é nada... Vixe mainha ó neguinha, tudo é tão bomio io mainha, ó neguinha, tudo é tempoVixe mainha ó neguinha, tudo é tão bomio io mainha, ó neguinha, tudo é tempoNEGA!

Vamos olhar o lado positivo, ele tenta quebara a "barreira" pela "neguinha". Tenta mudar os conceitos que sempre recebeu sobre a cor da pele. E eu pessoalmente amo as composições de Jaú Peri e o admiro como artista vamos deixar claro que é apenas uma analise pessoal seguindo uma linha de raciocinio, que pode ser altera ao longo das analises.
A nossa pergunta é apenas se uma música é considerada preconceituosa porque a outra não é? Quem poderia nos ajudar nesta analise?


Favor divulgar esta letra já que na música brasileira há tantas mensagens preconceituosas subliminares e por preguiça de pensar as pessoas interpretam o que escutam e não o que ouvem.
Peço também que se alguém tiver uma visão diferente da minha que a divulgue, pois o debate ajuda a enriquecer o intelecto. O que ouvi a pouco é que racismo não é alienação.
Obrigada por ter lido.
Aberto aos debates.
Daiane Oliveira, estudante de jornalismo da Unijorge, Guilherme Alencar (vasp), Wallace Silva (não sabe o que é) e Jessica Sandes, estudante de jornalismo da Unijorge