No mês de Janeiro do ano de 2007, obtive uma informação que me deixou perplexa foi a proibição de uma música da cantora baiana Margaret Menezes, Rasta Man. A música conta a historia de um homem, rastafari, que levava a vida de um jeito convencional, acorda cedo para trabalhar, joga futebol, porém este mesmo homem já havia viajado para muitos lugares de metrô e em uma sociedade onde o sonho popular é ficar rico e se divertir ele tinha o sonho de conhecer a Jamaica e cantar reggae. Ou seja, poderia ser considerado louco por querer conhecer um país da América Central que é considerado o berço do reggae.
Dois movimentos rastafáris da Bahia, Nova Flor e Aspiral do reggae, protocolaram uma ação no Ministério Público para que a música não tocasse nos rádios e na 2ª Promotoria de Justiça e Cidadania e Combate ao Racismo foi entregue um documento no qual os movimentos rastafáris descrevem a obra como “racista, discriminatória e incentivadora do preconceito”.
Creio que nem é preciso falar o porquê do meu espanto com a notícia, uma mulher negra, cantora baiana, que lutou contra o preconceito, contra a sociedade racista e discriminatória colocaria no seu álbum novo “ Brasileira ao vivo – Uma homenagem ao samba-reggae” uma música preconceituosa. A composição é de um trio Augusto Conceição, Duller e Fábio Alcântara , onde dois destes são rastafáris, sendo que a inspiração veio de um radialista também rastafári.
A letra esta abaixo:
”Rasta Man”
(Augusto Conceição, Fábio Alcântara e Duller)
Eu vou contar uma história de um rasta man
Que viajou o mundo inteiro de metrô
Na sua vitrola só rolava reggae clássico Gregory Isaac, Bob Marley, só sucesso
As suas tranças passeavam na cintura
Na sua cabeça uma touca tricolor
Jogava bola lá na rua onde morava
Fim de semana batucava o seu tambor
Reggae man Esse cara dança reggae
Reggae man
Meio maluco, mas um homem bom
Tinha uma casa com uma pintura jamaicana
Uma guitarra um surdo velho e um timbau
Ele levava uma vida de bacana
O seu cigarro era todo especial
A vida dele era pensar no dia-a-dia
Acorda cedo para a batalha do seu pão
Só tinha um sonho de conhecer a Jamaica
E cantar bem alto o reggae do seu coração Jha, jha, jha, lá, lá, lá, lá, ô, Jha Jha, jha, jha, lá, lá, lá, lá, ô, Lord
Agora a pergunta cadê o preconceito? Peço que se vocês o encontrarem nesta música avisem que estou a procura. Porém poderia citar um exemplo de música de passa a mensagem de apartheid racial, é a música interpretada pelo brilhante Jaú Peri e Piere Onassis, Ó neguinha,que fez muito sucesso no carnaval de Salvador. Nesta letra podemos verificar uma mensagem de que o preconceito mais do que nunca esta vivo, deixando claro que não estou chamando o compositor de preconceituoso, o artista poderia estar tentando mostrar um lado pelo qual convive ou se referiu a um pensamento coletivo que não era o seu, ou apenas se inspirou em alguém, a questão é que esta letra não foi avaliada e censurada, e realmente gostaria de saber qual a visão que este movimento teve para proibir a música Rasta Man. Como Jau Peri mesmo a descreveu Ó Neguinha é "um divisor de águas da música baiana", em uma entrevista para um site que fala da música baiana. A letra de Ó Neguinha esta abaixo junto com a minha interpretação entre parênteses:
Ó Neguinha, do grupo Vixe mainha:
Por essa nega eu ponho roupa nova, uso óculos escuros, ( pra quer roupa nova e oculos escuros? Pois a nossa sociedade é visual e você vale pelo que mostra ter e não pelo que você é. E os oculos escuros seria para ver um mundo negro como o dela).
desço do muro, ela sabe me fazer feliz. ( Ele vai descer do muro, pois é mis claro então vai assumir que é negro para ser feliz ao lado da “neguinha”. Então uma relação interracial neste contexto nunca daria certo).
Nega! Óculos escuros, na parede, na parede, na parededo meu sonho ( a parede dos sonhos é a barreira da cor da pele entres eles, é o apartheid racial que os separa).
Ela pintou alegria, arrumou tudo em mim,café com pão é bom(é brasileira, é brasileira, ébrasileira. ( o café é escuro e o pão claro, e é aqui no Brasil que essa mistura acontece muito)Vixe mainha ó neguinha, tudo é tão bomio io mainha, ó neguinha, tudo é tempoVixe mainha ó neguinha, tudo é tão bomio io mainha, ó neguinha, tudo é tempotempo é nada tudo é tempoe tempo é tudo e tempo é nada... Vixe mainha ó neguinha, tudo é tão bomio io mainha, ó neguinha, tudo é tempoVixe mainha ó neguinha, tudo é tão bomio io mainha, ó neguinha, tudo é tempoNEGA!
Vamos olhar o lado positivo, ele tenta quebara a "barreira" pela "neguinha". Tenta mudar os conceitos que sempre recebeu sobre a cor da pele. E eu pessoalmente amo as composições de Jaú Peri e o admiro como artista vamos deixar claro que é apenas uma analise pessoal seguindo uma linha de raciocinio, que pode ser altera ao longo das analises.
A nossa pergunta é apenas se uma música é considerada preconceituosa porque a outra não é? Quem poderia nos ajudar nesta analise?
Favor divulgar esta letra já que na música brasileira há tantas mensagens preconceituosas subliminares e por preguiça de pensar as pessoas interpretam o que escutam e não o que ouvem.
Peço também que se alguém tiver uma visão diferente da minha que a divulgue, pois o debate ajuda a enriquecer o intelecto. O que ouvi a pouco é que racismo não é alienação.
Obrigada por ter lido.
Aberto aos debates.
Daiane Oliveira, estudante de jornalismo da Unijorge, Guilherme Alencar (vasp), Wallace Silva (não sabe o que é) e Jessica Sandes, estudante de jornalismo da Unijorge